Para instigar os devaneios poéticos e as discussões conceituais deste fórum, poderíamos tomar talvez como epígrafe a afirmação de Pierre Brunel (inspirador do tema central deste “XVI Ciclo de Estudos sobre o Imaginário”, no Recife/Pernambuco-Brasil): “... o homem é um enigma para ele mesmo, cujo monstro, a Quimera (corpo de cabra, cabeça de leão e cauda de serpente) e esta outra filha de Equidna que é a Sphinx (cabeça de mulher, corpo de leão, asa de águia), podem ser o emblema. Desejoso de voar, como Ícaro, mas como ele rendido ao solo (In: Pierre Brunel. L’Imaginaire du Secret. Grenoble-France, ELLUG, 1998, p. 54). Ora, as obras bachelardianas sobre a imaginação material e sobre a imaginação das forças e do movimento envolvendo os quatro elementos, ou sobre o imaginário do espaço, sobre o tempo, sobre a poética dos devaneios e ou mesmo acerca do próprio “direito de sonhar”, se elas desvelam os embates interiores no homem, nas coisas e no cosmos, é para melhor afirmar nosso destino final de ascensão absoluta, que inspira e alimenta nossa tão humana sede de transcendência. Brunel - certamente inspirado também em G. Bachelard - oferece como sugestão três modalidades de imaginário do segredo: o “imaginário do evanescente” (mistério), o “imaginário do desafio” (enigma), o “imaginário do recôndito” (o segredo íntimo). Propomos então neste fórum buscar nas obras de Gaston Bachelard inspiração e guia conceitual para decifrar as dinâmicas do imaginário do segredo.